Ceará 2050: Com foco em economia do conhecimento e transição energética, SDE apresenta estratégias para impulsionar o desenvolvimento do estado

8 de maio de 2026 - 13:14 # # # # #

Ascom SDE

Em entrevista exclusiva para um programa de rádio, o novo titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) detalha o plano estratégico para elevar o PIB cearense a 4% do nacional e transformar o estado em um hub global de tecnologia e sustentabilidade.

O cenário econômico do Ceará vive um momento de transição de liderança e consolidação de projetos estruturantes. Em entrevista recente, o novo secretário da SDE, Fábio Feijó, apresentou sua visão técnica e estratégica para o futuro do estado. Ex-presidente da ZPE Ceará, Feijó assume o desafio de transformar indicadores positivos em oportunidades reais para a população, focando na interiorização do desenvolvimento e na inovação.

O “sinal técnico” do Governo

Para Feijó, sua indicação para a pasta em um ano eleitoral carrega uma mensagem clara da gestão do governo Elmano de Freitas: a prioridade absoluta é a continuidade do crescimento econômico.

“Colocar uma pessoa totalmente técnica nesta posição é um sinal importante que o nosso governador está dando. É uma mensagem de que não haverá ‘ano morno’ nas decisões e na velocidade do desenvolvimento econômico”, afirmou o secretário.

A meta ambiciosa: 4% do PIB nacional

Um dos pontos centrais da entrevista foi o planejamento estratégico Ceará 2050. O secretário explicou que, embora o estado tenha tido um salto histórico em 2017 (representando 2,25% do PIB do Brasil com o início da CSP), os anos seguintes mostraram uma leve retração proporcional.

O desafio agora é dobrar essa participação. “Hoje somos 4% da população brasileira, então é justo que participemos com 4% da riqueza. Para isso, precisamos crescer no mínimo o dobro da média nacional”, explicou Feijó.

Os pilares da nova economia

Sem petróleo ou minério de ferro em abundância, o Ceará se reinventou através da “Economia do Conhecimento” e da transição energética. Feijó destacou o capital humano cearense como o maior ativo do estado. Um dos pontos destacados foram:

Hidrogênio Verde: Transformar o sol e o vento em energia exportável através da molécula do hidrogênio.

Data Centers: O Ceará venceu competições globais contra países como Noruega e Finlândia para atrair gigantes como a Omni (do ecossistema TikTok). O investimento é estimado em dez vezes o valor de uma siderúrgica e a primeira etapa será inaugurada em outubro de 2027.

A indústria do futuro: do aço ao carro elétrico

Feijó detalhou a estratégia de verticalização da indústria metal-mecânica. O plano é passar da produção de placas de aço (Siderurgia) para a instalação de uma laminadora, que fornecerá matéria-prima para o novo polo automotivo em Horizonte.

A grande revelação da entrevista foi a confirmação de reservas de lítio no Sertão Central. O mineral é essencial para a fabricação de baterias de veículos elétricos.

“Descobrimos reservas importantes de lítio. Agora, a estratégia é extrair e criar uma planta de enriquecimento para servir de matéria-prima para a futura indústria automotiva no estado”, revelou o secretário.

Diferente dos modelos de incentivos fiscais do passado, que eram facilmente copiados por outros estados, a nova aposta do Ceará é geográfica e estrutural. Como os melhores ventos e o maior índice solar estão no interior, os novos investimentos em energia renovável (como os da Casa dos Ventos) estão forçando a riqueza a sair da Região Metropolitana e chegar ao coração do Sertão e das Chapadas.

Fábio Feijó também abordou alguns pontos fortes da gestão governamental aliados à sua missão na SDE. Dentre eles destacam-se:

Foco técnico: Gestão baseada em indicadores e continuidade administrativa.

Conectividade e inovação: Com a exploração dos 16 cabos submarinos para tornar o Ceará um hub de dados global.

Sustentabilidade: Consolidação do Hub de Hidrogênio Verde no Complexo do Pecém.

Educação: Alinhamento com a academia (UFC, UECE, IFCE) para formação de mão de obra tecnológica.